Brighid - Fragmentos
Um mundo aberto aos reinos fechados de Brighid.
Fragmentos do livro em Produção...
BRIGHID
O CAMINHO DA DEUSA
Suas vestes de árvores faias recobrem seus seios que nutriu por centenas de anos, homens de tão severas formas nas quais mutilaram-na. As minas que fora explorada secaram-nas, mas teimosamente ela se entroniza, percorre por entre os lençóis de água que correm nas profundezas de suas veias. Caminha aos densos gêiseres e recria a sua própria cura, oferece dela o milagre, abençoa as mãos que se estendem e libertam de suas prisões imaginárias, das suas ingenuidades, de seus mundos de dores, aflições e medos.
O feminino libertino pagão foi transferido como rebeldia, a natureza não podia ser cultuada pela mulher num sintoma dela encaixar os segredos recebidos, sua fertilidade em expelir seres saudáveis e reverenciados ao sol e a lua, a natureza rústica, a originalidade abstrata da sua natureza forte, imponderada, não dominável, resistente, o canto assoviado debaixo dos carvalhos e faias que os deixava incertos por uma ascendência secreta. O poder que não conseguiam dominar, isso tinha que desacelerar, tinham que frear. Ela com seus pés fincados na sabedoria milenar doava aos homens que a devotavam, construir para o seu próprio império, a sua fortaleza de conhecimento, e ser altruísta era necessidade biológica.
A política construtiva, em termos de expansão, solidificações de monastérios e dominações sobre propriedades e culturas, tributos de leis, regidos por homens que citavam suas regras, suas novas doutrinas sacras, que incluía a nuvem mágica, a obediência por maldições, a tomada por satisfação pessoal. A liderança de um novo mundo, a voz que libertá-los-ia de seus cultos ao favoritismo patriarcal. A sementeira que brotara milhões de árvores infrutíferas, a amendoeira que guardou uma bolota oca. A que leva o buscador ao rastro da verdade.

